Semana da arte moderna
O evento compreendeu três noitadas, ou “festivais”, com recitais, conferências, declamação de poemas e exposição de escultura e pintura. As récitas aconteceram no Teatro Municipal de São Paulo, entre 13, 15, 17 de fevereiro deste ano (1922), segunda, quarta e sexta-feira. Apesar de ter sido realizado em poucas noites, para um público relativamente reduzido, sua repercussão foi maior do que o esperado. Ao público, a emergência da nova estética se afigurou novidade. Mas ela vinha fermentada desde pelo menos 1917. O Modernismo foi uma bomba bem instalada.
O evento compreendeu três noitadas, ou “festivais”, com recitais, conferências, declamação de poemas e exposição de escultura e pintura. As récitas aconteceram no Teatro Municipal de São Paulo, entre 13, 15, 17 de fevereiro deste ano (1922), segunda, quarta e sexta-feira. Apesar de ter sido realizado em poucas noites, para um público relativamente reduzido, sua repercussão foi maior do que o esperado. Ao público, a emergência da nova estética se afigurou novidade. Mas ela vinha fermentada desde pelo menos 1917. O Modernismo foi uma bomba bem instalada.

Momento Histórico
Após os governos militares, e a “política dos governadores”, ou seja, os governadores apóiam o governo federal e este apóia os governos estaduais, aos poucos se formaram as oligarquias, onde, famílias ou grupos políticos que se perpetuam no poder. No cenário nacional os presidentes passam a ser eleitos ora por São Paulo ora por Minas Gerais, surgindo assim a “política do café com leite”.
Com a Primeira Guerra Mundial a cidade de São Paulo sofre um grande surto de industrialização, mas o governo federal marginaliza esse surto, dando apoio apenas para a produção e exportação do café.
A Realização do Evento
Com o sentido destruidor de um novo movimento chamado de Modernista, surgiram pequenas, porém valiosas informações sobre a realização de uma semana de arte, o jornal Correio paulistano noticiou a alguns dias a organização e relacionou prováveis participantes do evento.
Durante os primeiros dias de fevereiro, várias outras notícias criam de expectativa em torno do acontecimento; tal fato explica a enorme afluência de público ao primeiro espetáculo, na noite de 13 de fevereiro. Espalhadas no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocam reações de espanto e repúdio; os trabalhos mais visados são os de Victor Brecheret e Anita Malfatti.
O espetáculo de 13 de fevereiro(segunda-feira) foi aberto com a conferência de Graça Aranha, intitulada A Emoção Estética na Arte Moderna, acompanhada da música de Ernani Braga e da poesia de Ronald de Carvalho e de Guilherme de Almeida. A conferência de graça Aranha não chegou a causar espanto, ao contrário da música de Ernani Braga, que fazia uma sátira a Chopin – o que levaria a pianista Guiomar Novaes a protestar publicamente contra os organizadores da Semana. A noitada prosseguiu com a conferência A Pintura e a Escultura Moderna no Brasil, de Ronald de Carvalho, três solos de piano de Ernani Braga e três danças africanas de Villa-Lobos.
O segundo espetáculo, em 15 de fevereiro(quarta-feira), anunciava como grande atração a pianista Guiomar Novaes, que, apesar do protesto, compareceu e se apresentou. Entretanto, a “atração” foi uma conferência de Menotti del Picchia sobre arte e estética, ilustrada com a leitura de textos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Plínio Salgado, entre outros; a cada leitura, o público se manifestava através de miados e latidos. Ronald de Carvalho lê “Os sapos”, de Manuel Bandeira, numa crítica aberta ao modelo parnasiano; o público faz coro, ironizado o refrão “foi! Não foi! foi!...”.Durante o intervalo, Mário de Andrade lê, das escadarias do teatro, trechos de A escrava que não é Isaura. Sobre o episódio, assim se manifestou, mais tarde, Mário de Andrade:
“Mas como tive coragem pra dizer versos diante duma vaia tão barulhenta que eu não escutava no palco o que Paulo Prado me gritava da primeira fila das poltronas?... Como pude fazer uma conferência sobre as artes plásticas, na escadaria do Teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer?...”
Na última sexta-feira dia 17 de fevereiro, realizou-se o “terceiro e último grande festival” da Semana de Arte Moderna, com a apresentação de músicas de Villa-Lobos. O público já não lotava o teatro e comportava-se mais respeitosamente. Exceto quando o maestro Villa-Lobos entra em cena de casaca e... chinelos; o público interpreta a atitude como futurista, e vaia. Após o festival o maestro explica que não se trata de futurismo e sim de calo arruinado...
Após os governos militares, e a “política dos governadores”, ou seja, os governadores apóiam o governo federal e este apóia os governos estaduais, aos poucos se formaram as oligarquias, onde, famílias ou grupos políticos que se perpetuam no poder. No cenário nacional os presidentes passam a ser eleitos ora por São Paulo ora por Minas Gerais, surgindo assim a “política do café com leite”.
Com a Primeira Guerra Mundial a cidade de São Paulo sofre um grande surto de industrialização, mas o governo federal marginaliza esse surto, dando apoio apenas para a produção e exportação do café.
A Realização do Evento
Com o sentido destruidor de um novo movimento chamado de Modernista, surgiram pequenas, porém valiosas informações sobre a realização de uma semana de arte, o jornal Correio paulistano noticiou a alguns dias a organização e relacionou prováveis participantes do evento.
Durante os primeiros dias de fevereiro, várias outras notícias criam de expectativa em torno do acontecimento; tal fato explica a enorme afluência de público ao primeiro espetáculo, na noite de 13 de fevereiro. Espalhadas no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocam reações de espanto e repúdio; os trabalhos mais visados são os de Victor Brecheret e Anita Malfatti.
O espetáculo de 13 de fevereiro(segunda-feira) foi aberto com a conferência de Graça Aranha, intitulada A Emoção Estética na Arte Moderna, acompanhada da música de Ernani Braga e da poesia de Ronald de Carvalho e de Guilherme de Almeida. A conferência de graça Aranha não chegou a causar espanto, ao contrário da música de Ernani Braga, que fazia uma sátira a Chopin – o que levaria a pianista Guiomar Novaes a protestar publicamente contra os organizadores da Semana. A noitada prosseguiu com a conferência A Pintura e a Escultura Moderna no Brasil, de Ronald de Carvalho, três solos de piano de Ernani Braga e três danças africanas de Villa-Lobos.
O segundo espetáculo, em 15 de fevereiro(quarta-feira), anunciava como grande atração a pianista Guiomar Novaes, que, apesar do protesto, compareceu e se apresentou. Entretanto, a “atração” foi uma conferência de Menotti del Picchia sobre arte e estética, ilustrada com a leitura de textos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Plínio Salgado, entre outros; a cada leitura, o público se manifestava através de miados e latidos. Ronald de Carvalho lê “Os sapos”, de Manuel Bandeira, numa crítica aberta ao modelo parnasiano; o público faz coro, ironizado o refrão “foi! Não foi! foi!...”.Durante o intervalo, Mário de Andrade lê, das escadarias do teatro, trechos de A escrava que não é Isaura. Sobre o episódio, assim se manifestou, mais tarde, Mário de Andrade:
“Mas como tive coragem pra dizer versos diante duma vaia tão barulhenta que eu não escutava no palco o que Paulo Prado me gritava da primeira fila das poltronas?... Como pude fazer uma conferência sobre as artes plásticas, na escadaria do Teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer?...”
Na última sexta-feira dia 17 de fevereiro, realizou-se o “terceiro e último grande festival” da Semana de Arte Moderna, com a apresentação de músicas de Villa-Lobos. O público já não lotava o teatro e comportava-se mais respeitosamente. Exceto quando o maestro Villa-Lobos entra em cena de casaca e... chinelos; o público interpreta a atitude como futurista, e vaia. Após o festival o maestro explica que não se trata de futurismo e sim de calo arruinado...

Leandro Nº19, Marcelo Nº21, Roger Nº32.
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